Logo nas primeiras horas da manhã, o movimento já tomava conta do Centro de Pesquisa e Capacitação da Agraer (Cepaer), em Campo Grande. Entre técnicos, produtores rurais, estudantes e parceiros institucionais, o Dia de Campo sobre silagem de milho se transformou em um espaço de troca direta entre quem pesquisa, quem orienta e quem vive diariamente o desafio de produzir alimento no campo. A iniciativa teve como objetivo ampliar o conhecimento sobre a produção de silagem para garantir alimento de qualidade ao rebanho leiteiro, especialmente durante o período de escassez de pastagens no inverno.
Mais do que uma programação técnica, o evento foi marcado pelo reconhecimento do trabalho coletivo que sustenta a pesquisa e a extensão rural. Na abertura, a gerente de Pesquisa Agropecuária da Agraer, Ana Ajalla, destacou o significado do encontro para o calendário do centro de pesquisa.
“Este ano temos uma programação de pelo menos quatro grandes eventos aqui no nosso centro de pesquisa. Estamos muito felizes e satisfeitos com a participação de todos e esperamos que tenhamos um grande evento e, principalmente, muito conhecimento”, afirmou.
Ana também reforçou o espírito prático do dia de campo – um ambiente onde a curiosidade é bem-vinda e as perguntas fazem parte do aprendizado. “Aproveitem, perguntem mesmo”, incentivou aos participantes.
A gerente aproveitou o momento para reconhecer as instituições que tornaram o evento possível. Entre elas, o projeto Rural Sustentável Cerrado, o Instituto Brasileiro de Desenvolvimento e Sustentabilidade (IABS), a Fundapan, a Semadesc, o Senar, a Syngenta e outros parceiros que contribuíram para a implantação da lavoura de milho e para a realização das atividades técnicas.
Mas o agradecimento mais enfático foi direcionado a quem está diariamente no campo.
“A mobilização foi muito grande. Todos se envolveram, mas principalmente o nosso pessoal do campo. A lavoura não tem hora, não tem final de semana. Então eu quero agradecer muito ao Antonino e a toda a equipe que trabalhou até de noite cuidando dessa área”, disse.
A presença do Projeto Rural Sustentável Cerrado também marcou a abertura do evento. Representando a iniciativa, Jéssica Souza explicou que o projeto integra uma cooperação internacional voltada à produção sustentável.
Segundo ela, o programa busca reduzir emissões de gases de efeito estufa ao mesmo tempo em que fortalece a renda de pequenos e médios produtores rurais. O projeto é financiado pelo governo do Reino Unido, aprovado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e tem como beneficiário institucional o Ministério da Agricultura e Pecuária.
“O objetivo é mitigar as emissões de gases do efeito estufa aumentando a renda dos produtores. E o Cepaer se tornou uma unidade demonstrativa do projeto, onde mostramos na prática as tecnologias que defendemos”, explicou.
A parceria com o centro de pesquisa, segundo ela, foi ampliada ao longo do tempo por meio de acordos de cooperação técnica com a Agraer, a Semadesc e a Fundapan. Esses acordos possibilitam desde a implantação de unidades demonstrativas até a realização de eventos como o dia de campo e futuros seminários técnicos.
“Essas ações fortalecem o trabalho desenvolvido aqui no Cepaer e estão totalmente alinhadas com o propósito do projeto Rural Sustentável Cerrado”, afirmou.
Representando a Fundapan, José Ubirajara ressaltou que a articulação entre instituições tem sido fundamental para levar conhecimento e apoio aos produtores, especialmente em um momento em que o setor discute a continuidade de programas estratégicos.
Ele comentou que tem acompanhado de perto as ações do PRS Cerrado em atividades no interior e em assentamentos rurais.
“Temos percebido a preocupação dos produtores com a continuidade do projeto, já que ele deve se encerrar no meio do ano. Mas é importante lembrar que a Agraer está presente em todos os municípios e tem capacitação para continuar contribuindo com vocês”, disse.
Ubirajara explicou que o papel da Fundapan dentro dessas parcerias é garantir agilidade na gestão dos projetos e na execução dos recursos – algo essencial para a dinâmica do setor agropecuário.
“Na agricultura precisamos de agilidade. E uma das funções da Fundapan é justamente dar celeridade aos procedimentos, ajudando no gerenciamento dos projetos e dos recursos financeiros”, destacou.
O espírito de cooperação entre instituições também foi reforçado pela superintendente do Senar/MS, Paula Pereira Martins, que destacou a convergência de esforços em torno do produtor rural.
“É uma grande satisfação o Senar atuar mais uma vez em parceria com o Cepaer e com a Agraer. Isso demonstra que o nosso objetivo como instituições de assistência técnica e extensão rural é convergir todo o trabalho em prol do produtor”, afirmou.
Para ela, o dia de campo representa mais do que um evento técnico – é o resultado do empenho de profissionais dedicados à transferência de conhecimento.
“Hoje vocês vão ver aqui o esforço de grandes profissionais da assistência técnica e da extensão rural que dedicaram um tempo precioso para compartilhar conhecimento. Cabe a nós absorver essas experiências, levar para casa e colocar em prática”, disse.
Já o secretário-executivo da Semadesc, Rogério Beretta, aproveitou a oportunidade para apresentar iniciativas do governo estadual voltadas ao fortalecimento da cadeia leiteira, especialmente no campo da genética animal.
Segundo ele, o Estado autorizou investimentos de cerca de R$ 9 milhões para ampliar a qualidade do rebanho leiteiro.
“Estamos comprando sêmen, embriões, bezerras, novilhas prenhas e também touros para distribuir aos produtores”, explicou.
Beretta enfatizou que o acesso a esses recursos segue critérios técnicos e não políticos.
“Não existe distribuição política de nada nesse programa. É meritocracia. O produtor cadastra sua propriedade, e o técnico avalia as necessidades. A partir daí ele pode receber inseminação, embrião, animais ou até um touro, dependendo da realidade da propriedade”, detalhou.
A estratégia, segundo ele, é fortalecer a produção de leite de forma estruturada, com apoio técnico permanente e incentivo ao aumento da produtividade.
Ao longo do dia, os participantes percorreram estações técnicas que abordaram desde manejo do solo até planejamento do silo, passando por variedades de milho e técnicas de ensilagem – conhecimento essencial para garantir alimento ao rebanho durante períodos de menor disponibilidade de pastagem.
Entre lavouras demonstrativas, conversas técnicas e rodas de aprendizado, o Dia de Campo no Cepaer reafirmou um princípio simples que move a extensão rural: quando pesquisa, assistência técnica e produtor caminham juntos, o conhecimento deixa de ser teoria e passa a alimentar o futuro da produção no campo
A Agraer está presente em todos os municípios de Mato Grosso do Sul e segue ao lado de quem faz o campo acontecer. A instituição mantém o compromisso de fortalecer práticas sustentáveis, unindo conhecimento, tecnologia e tradição para que cada propriedade avance com equilíbrio e rentabilidade. Se você, produtor, deseja iniciar em alguma atividade ou busca aprimorar seus métodos, agregar valor ou expandir sua agroindústria, procure o escritório local da Agraer em seu município.
Texto: Ricardo Campos Jr., Agraer
Fotos: Aline Lira, Agraer










