Nesta sexta-feira (27), a sede do Projeto de Assentamento (PA) Angélica foi palco de um momento histórico para a comunidade rural: a inauguração da Agroindústria Coletiva do Assentamento Angélica. A iniciativa é resultado da parceria entre a Associação de Mulheres do Assentamento Angélica (AMU), a Agraer e a Prefeitura Municipal, consolidando um passo decisivo para o fortalecimento da agricultura familiar e do desenvolvimento local.
A nova estrutura representa mais do que um espaço físico. “Nós começamos com o sonho de melhorar a renda das nossas famílias e hoje estamos vendo esse sonho ganhar forma. Aqui vamos produzir com mais qualidade, com mais segurança e com mais oportunidades de venda. É uma conquista que fortalece todas nós”, afirma a presidente da Associação, Vanilda Tibúrcio.
AMU – A Associação de Mulheres do Assentamento Angélica iniciou suas atividades há pouco menos de dois anos, no dia 26 de novembro de 2024. Atualmente, o coletivo é formado por 18 famílias. O grupo atua na produção de hortaliças minimamente processadas, produtos panificados e doces, com comercialização em feiras locais e por meio de programas de compras públicas.
“A agroindústria é o espaço onde o produto deixa de sair da propriedade apenas como matéria-prima e passa a sair com valor agregado, com identidade e qualidade. Isso significa mais renda para as famílias, mais autonomia e mais desenvolvimento para o município. Quando agregamos valor dentro da propriedade, fortalecemos a economia local e garantimos melhores condições de vida para quem produz”, afirmou o diretor-presidente da Agraer, Fernando Nascimento, ao destacar o papel estratégico das agroindústrias em MS.
Para viabilizar o funcionamento da agroindústria, a Prefeitura de Angélica realizou as adequações sanitárias necessárias, enquanto os equipamentos foram adquiridos com recursos próprios, provenientes de ações sociais e de projetos financiados pelo Fundo Social da Fundação Sicredi.
O escritório municipal da Agraer de Angélica acompanha o grupo desde o início, oferecendo suporte que vai desde a mobilização das mulheres, organização da associação e regularização documental até a elaboração de projetos produtivos e estratégias de comercialização.
Segundo Arlene França, coordenadora do Escritório Municipal da Agraer em Angélica, as ações desenvolvidas no âmbito da Chamada Anater (2023/25) foram fundamentais para o fortalecimento da iniciativa. “Além do projeto voltado ao beneficiamento, financiado pelo programa da Fundação Sicredi, a equipe técnica também elaborou propostas para inserção nos programas PNAE e PAA, ampliando o acesso aos mercados institucionais”, explica.
Agroindústria: agregação de valor e desenvolvimento – Na oportunidade, Fernando também se comprometeu a viabilizar um veículo usado, em bom estado, da Agraer, para atender a associação. “O carro será fundamental para apoiar a logística e o escoamento da produção, permitindo que os produtos cheguem às feiras de Ivinhema e de outros municípios próximos, ampliando mercados e fortalecendo a renda das famílias”, disse o dirigente.
O coordenador regional da Agraer de Nova Andradina, Sandro Polloni, ressaltou que a consolidação da agroindústria está diretamente ligada aos serviços de Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER).
“Uma agroindústria não se sustenta apenas com equipamentos. Ela precisa de orientação técnica, planejamento, organização e acompanhamento permanente. É isso que a ATER proporciona: apoio desde a produção até a comercialização. Quando a assistência técnica caminha junto, o empreendimento ganha solidez e capacidade de crescimento”.
Para a presidente da AMU, Vanilda Tibúrcio, o momento é de celebração e esperança. “Pra nós, que somos agricultoras, isso aqui é mais do que um prédio. É o resultado de muita luta, de muita reunião, de acreditar que juntas é possível. Agora, a gente tem um lugar adequado pra trabalhar, pra melhorar nossos produtos e vender melhor. Isso muda a nossa realidade e dá mais segurança para as nossas famílias”.
Texto: Aline Lira, Agraer
Fotos: José Carlos Gasperoni, Agraer


