Na Comunidade Quilombola Chácara Buriti, em Campo Grande, o som que agora ecoa na Casa do Mel não é apenas o giro de uma máquina. É o barulho de uma transformação silenciosa – e doce. A chegada de uma centrífuga começa a mudar a rotina e, sobretudo, as perspectivas de nove apicultores que, até pouco tempo atrás, faziam todo o processo de extração de forma manual.
Com aproximadamente 40 caixas de abelhas e uma produção de aproximadamente 50 quilos de mel por ciclo, os produtores já demonstravam força e organização. Faltava, porém, o equipamento capaz de transformar esforço em escala; e produção em renda.
A centrífuga entregue pela Agraer – Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural – representa mais do que um avanço técnico. Ela simboliza o acesso a melhores condições de trabalho, qualidade sanitária e, principalmente, à possibilidade real de comercialização.
O processo manual limitava o aproveitamento e restringia a venda. “O produtor já tinha as colmeias, uma grande quantidade de mel, mas não tinha a máquina apropriada para centrifugar e conseguir comercializar”, explica Lucinéia Gabilão, presidente da Associação de Moradores da Chácara Buriti. Segundo ela, grande parte da produção era consumida internamente, porque o processo artesanal não garantia volume e padronização suficientes para o mercado.
Com o novo equipamento, o cenário muda. A centrífuga extrai o mel de forma mais rápida e completa, reduz perdas e assegura maior higiene no processo. O resultado é um produto de melhor qualidade, com maior rendimento por colmeia e menos desgaste físico para o apicultor.
Para Agoncílio Correia Barbosa, Coordenador Regional da Agraer em Campo Grande, o impacto é direto na produtividade e na renda. “A centrífuga aumenta o volume colhido por colmeia, melhora a qualidade e garante mais higiene na extração. Há um melhor aproveitamento e um rendimento maior”, afirma.
Ele destaca ainda que o equipamento reduz o esforço do produtor e fortalece a produção coletiva. “Quando eles trabalham em grupo, fortalecem a comunidade. Um equipamento desses fortalece não só a produção, mas o próprio grupo”.
A lógica é simples: mais eficiência gera mais mel. Mais mel significa mais renda. E mais renda traz dignidade.
Lucinéia resume o impacto de forma direta: “Se o produtor consegue extrair o mel, ele consegue vender. Isso gera impacto financeiro, aumenta a renda, melhora a qualidade de vida da família e fortalece o grupo como um todo”. Para ela, o investimento vai além do presente. “Hoje, a pessoa pode dizer: eu só saio para trabalhar fora se eu quiser. Posso tirar meu sustento daqui, da minha terra”.
A expectativa agora é de crescimento. Com estrutura adequada, os nove apicultores podem ampliar a produção, melhorar o padrão do produto e buscar novos mercados. A Casa do Mel deixa de ser apenas um espaço de extração e passa a ser um ponto estratégico de organização comunitária e geração de oportunidades.
O reflexo atinge também os jovens da comunidade. A perspectiva de emprego e renda dentro do próprio território fortalece o sentimento de pertencimento e reduz a necessidade de buscar alternativas fora. “A gente pensa nos nossos jovens, que vão ter geração de emprego dentro da própria comunidade”, reforça Lucinéia.
Mais do que girar favos, a centrífuga coloca em movimento um ciclo virtuoso: tecnologia, assistência técnica e organização coletiva trabalhando juntos para transformar produção em autonomia.
A Agraer está presente em todos os municípios de Mato Grosso do Sul e segue ao lado de quem faz o campo acontecer. A instituição mantém o compromisso de fortalecer práticas sustentáveis, unindo conhecimento, tecnologia e tradição para que cada propriedade avance com equilíbrio e rentabilidade. Se você, produtor, deseja iniciar em alguma atividade ou busca aprimorar seus métodos, agregar valor ou expandir sua agroindústria, procure o escritório local da Agraer em seu município.
Texto: Ricardo Campos Jr., Agraer
Fotos: Brennon Quintino, Agraer


