Publicado em 14 abr 2026 • por Alcineia Santos Maceno da Silva •
A participação ativa da Agraer no Encontro Técnico de Piscicultura, realizado nesta terça-feira (14) durante a Expogrande 2026, reforça o papel da instituição como ponte entre inovação, políticas públicas e a realidade dos agricultores familiares. Em um cenário de crescimento acelerado da atividade no Estado, a presença da agência nos debates evidencia seu compromisso em levar conhecimento técnico qualificado até o campo.
Promovido pelo Governo do Estado, por meio da Semadesc, o encontro reuniu produtores, pesquisadores e especialistas para discutir caminhos que tornem a piscicultura mais eficiente, sustentável e rentável. Com produção superior a 53 mil toneladas em 2025 – impulsionada principalmente pela tilápia – e avanço consistente dos peixes nativos, que já representam 14% do total, o setor se consolida como uma das principais frentes do agronegócio sul-mato-grossense.
Conhecimento que chega ao produtor – A atuação da Agraer se destacou em dois painéis estratégicos, conectando ciência, mercado e prática rural.
No debate sobre os desafios da criação de peixes nativos, com foco no pintado, a médica-veterinária extensionista Chaiana Schaffer Schroder trouxe uma visão direta da realidade enfrentada pelos produtores. Segundo ela, o evento apresentou avanços importantes – inclusive na área genômica – que, embora ainda distantes de parte dos agricultores, já começam a moldar o futuro da atividade.
Ela destacou que o pintado, espécie nativa e com mercado em expansão, exige manejo técnico cuidadoso. “É um peixe com grande aceitação, inclusive fora do Estado, mas o produtor precisa se organizar para conseguir bons preços e garantir a procedência dos alevinos”, explicou.
Entre os desafios, estão características específicas da espécie: hábitos noturnos, necessidade de adaptação alimentar e risco de canibalismo. Por isso, a orientação técnica é fundamental desde a aquisição dos peixes até o manejo diário. “Os criatórios de confiança já oferecem alevinos adaptados à alimentação diurna e à ração, o que faz toda a diferença no resultado final”, pontuou.
Outro ponto sensível é a densidade de lotação. Segundo a extensionista, o excesso de peixes compromete o consumo da ração e pode afetar a qualidade do produto. Ainda assim, quando bem conduzida, a atividade pode gerar boa rentabilidade, especialmente em nichos como pesqueiros e restaurantes, que valorizam o pescado nativo.
Mercado, tecnologia e organização – Já no painel sobre o potencial econômico da tilápia, o técnico em aquicultura Tony Mauro Gomes do Nascimento destacou a importância da organização da cadeia produtiva. Ele sugeriu a criação de um modelo semelhante ao hub do Peixe BR, conectando produtores diretamente aos frigoríficos, reduzindo a dependência de intermediários e ampliando a margem de lucro.
“A ideia é criar um canal direto de negociação, fortalecendo o produtor dentro da cadeia”, afirmou.
Tony também ressaltou o avanço tecnológico no Estado, com destaque para a produção de juvenis em tanques escavados e elevados, além da adoção de vacinação de peixes – práticas que aumentam a produtividade e reduzem riscos sanitários.
Para ele, eventos como o encontro técnico são essenciais para atualizar os profissionais que atuam na ponta. “Estamos trazendo tecnologias avançadas para apresentar aos produtores. Esse pacote tecnológico é fundamental para que eles tenham êxito”, disse.
Presença estratégica no desenvolvimento rural – A participação da Agraer nos debates vai além da representação institucional. Ela simboliza a conexão entre políticas públicas, inovação e a realidade dos agricultores familiares – público diretamente atendido pela agência e cada vez mais inserido na piscicultura como alternativa de renda.
Ao absorver e traduzir o conhecimento discutido em espaços técnicos como o da Expogrande 2026, a Agraer reafirma seu papel como agente de transformação no meio rural. Em um setor que cresce em ritmo acelerado e exige cada vez mais profissionalização, essa presença ativa garante que o desenvolvimento chegue de forma inclusiva, sustentável e com resultados concretos no campo.
A Agraer está presente em todos os municípios de Mato Grosso do Sul e segue ao lado de quem faz o campo acontecer. A instituição mantém o compromisso de fortalecer práticas sustentáveis, unindo conhecimento, tecnologia e tradição para que cada propriedade avance com equilíbrio e rentabilidade. Produtores que desejam iniciar e aprimorar alguma atividade, ou agregar valor à produção, podem procurar um de nossos escritórios e conversar com nossos extensionistas.
Texto: Ricardo Campos Jr., Agraer
Fotos: Brennon Quintino, Agraer



