Com maquete impressa em 3D, Agraer aproxima produtores da piscicultura na Tecnofam

  • Publicado em 11 jun 2026 • por Alcineia Santos Maceno da Silva •

  • Na propriedade de Jucineide Pereira do Nascimento e Juarez Semeão do Nascimento, o leite ainda é a principal atividade. A família complementa a renda participando de feiras, onde comercializa doces, biscoitos, temperos e outros produtos artesanais feitos com matéria-prima que eles mesmos produzem. Mas, durante a Tecnofam 2026, um novo caminho passou a ocupar espaço nos planos da família: a piscicultura.

    O interesse surgiu diante de uma maquete diferente das demais atrações. Produzida com impressão 3D pelo técnico em aquicultura da Agraer, Tony Mauro, reproduz em detalhes sistemas de criação de peixes, permitindo que produtores visualizem, de forma prática, como deve funcionar uma estrutura eficiente e tecnicamente correta.

    “Nós ainda não trabalhamos com piscicultura, mas temos vontade de investir nessa atividade. Achamos que ela é uma alternativa interessante para a agricultura familiar e pode trazer uma renda a mais para a propriedade”, conta o casal.

    Antes da visita à Tecnofam, o contato com a atividade vinha principalmente das conversas com vizinhos que já criam peixes. A maquete, porém, transformou a curiosidade em algo mais concreto. “Depois de conhecer o sistema apresentado aqui, ficamos ainda mais interessados. A proposta é muito interessante e acreditamos que seja algo possível de ser implantado futuramente na propriedade”, afirma.

    Para eles, a piscicultura surge como uma oportunidade de diversificar a produção sem abandonar as atividades já desenvolvidas pela família. “Vendo de perto como funciona, percebemos que a piscicultura pode ser uma oportunidade real para diversificar a produção e aumentar a renda da família”.

    Com tecnologia – A estrutura feita de filamentos era capaz de despertar a curiosidade de Jucineide e de centenas de outros visitantes. O trabalho levou para dentro da Tecnofam versões minuciosas em miniatura de tanques escavados, tanques elevados e diferentes sistemas de aeração utilizados na produção aquícola.

    “Eu trouxe aqui para a feira como é construído um tanque, qual o fluxograma dele, quantos peixes nós podemos colocar por metro quadrado, quais os tipos de aeração e como funciona o tanque elevado, quais os cuidados que o produtor deve tomar para ter sucesso na produção dele. Está aqui o modelo do que é certo, para que eles possam segui-lo”, explica o técnico.

    A proposta era tornar visível aquilo que muitas vezes é difícil de compreender apenas por meio da teoria. Em vez de observar fotografias ou esquemas, os visitantes puderam enxergar cada etapa do sistema produtivo em três dimensões.

    “Temos aqui dois modelos de tanques escavados e dois modelos de tanques elevados, cada um com um tipo de aeração diferente”, detalha.

    Para Tony, a tecnologia ajudou a aproximar os produtores do conhecimento técnico. “Toda essa maquete eu fiz com impressora 3D. Essa tecnologia permite mostrar ao produtor de forma bem didática como deve ser feito. Assim, eles podem tocar, ver como é feito, absorver esse conhecimento da melhor forma possível e depois colocar em prática nas propriedades deles”.

    A reação do público demonstrou que a estratégia funcionou. Entre os visitantes, um produtor indígena de uma comunidade de Dourados marcou o técnico pela emoção.

    “Teve um caso que me chamou muito a atenção. Ele cria peixes, mas não é feito dessa forma e perguntou se tem jeito de fazer corretamente, porque não conseguia manejar os peixes. Orientei ele a solicitar uma visita da Agraer para ter sucesso na produção e ele chorou, se emocionou”, relata.

    Outro tema destacado pela Agraer durante a feira foi a importância da organização coletiva dos produtores como ferramenta para aumentar a competitividade da atividade.

    “Estamos tentando implantar a ideia de sistemas por meio do cooperativismo, pois o preço da ração e dos alevinos fica mais barato. Se os agricultores se unirem, economizam nos insumos e isso se converte em lucro lá na frente. Além disso, conseguem vender o produto deles e são vistos lá fora”, destaca Tony.

    Entre tantas tecnologias apresentadas na Tecnofam, a maquete chamou atenção por um motivo simples: mostrou que, muitas vezes, o primeiro passo para produzir melhor é conseguir enxergar com clareza o que precisa ser feito. Para produtores como Jucineide e Juarez, a piscicultura deixou de ser apenas uma possibilidade distante e passou a ser uma alternativa concreta para o futuro da propriedade.

    Presente em todos os municípios de Mato Grosso do Sul, a Agraer segue ao lado de quem faz o campo acontecer. A instituição, vinculada à Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação), mantém o compromisso de fortalecer práticas sustentáveis, unindo conhecimento, tecnologia e tradição para que cada propriedade avance com equilíbrio e rentabilidade. Agricultores interessados em aprimorar seus métodos, agregar valor ou expandir suas agroindústrias podem procurar o escritório local mais próximo.

    Texto e fotos: Ricardo Campos Jr., Agraer

    Categorias :

    Tecnofam 2026

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