Publicado em 25 mar 2026 • por Alcineia Santos Maceno da Silva •
Nesta quarta-feira (25), a oficina “Cordeiros para o Mercado: Produzir Melhor e Crescer no Coletivo” foi realizada no Sítio Terra Prometida, no Assentamento Estrela, em Campo Grande, às margens da BR-262. Promovida pela Agraer – vinculada à Semadesc e ao Governo do Estado de Mato Grosso do Sul – em parceria com o Senar, a ação destacou a importância da produção organizada para atender às exigências do mercado.
A atividade faz parte do PDOA (Propriedade de Descanso de Ovinos para Abate) e reuniu cerca de 100 pessoas entre produtores, estudantes, técnicos e representantes do setor produtivo em um momento de troca de conhecimentos voltado ao fortalecimento da ovinocultura e à organização coletiva da produção.
A zootecnista da Agraer, Thainara Rocha, destacou o modelo PDOA – Propriedade de Descanso de Ovinos para Abate – que desde 2013 atua como política pública para facilitar o comércio de animais. “A PDOA reúne ovinos de diferentes propriedades e organiza o envio para os frigoríficos. Mesmo produtores com poucos animais conseguem participar, formando lotes maiores, o que melhora a negociação. O pagamento é feito de forma igualitária, considerando o volume total embarcado. Nesta unidade, temos capacidade para embarcar até 100 animais por remessa, com previsão de ampliação para 200”.
Segundo Thainara, além da organização logística, é preciso adequar a produção ao padrão exigido pela indústria. “Não é qualquer animal nem qualquer peso. O foco é trabalhar padronização, volume e regularidade de entrega. A criação de ovinos permite começar com baixo investimento, pode ser desenvolvida em pequenas áreas e com mão de obra familiar, o que possibilita ao pequeno produtor avançar com mais autonomia”.
O diretor-presidente da Agraer, Fernando Luiz Nascimento, destacou a relevância do projeto para o desenvolvimento da agricultura familiar no Estado. “PDOA é estratégico porque organiza a produção e cria condições reais para que o pequeno produtor acesse o mercado com mais competitividade. Este encontro mostra que, com orientação técnica e trabalho coletivo, é possível agregar valor à produção e ampliar a renda”.
Produção coletiva como caminho – No sítio, os participantes acompanharam diálogos sobre associativismo e qualidade da produção, com foco na padronização dos cordeiros e no fortalecimento da cadeia produtiva. Além de percorrer a área destinada ao embarque de desembarque de animais.
A professora do curso de zooctenia da UEMS, Rosana Arruda, destacou a importância da vivência em campo para a formação acadêmica. “Estamos aqui com estudantes do terceiro, quarto e quinto ano de Zootecnia, e a proposta é justamente promover essa integração entre alunos, profissionais do mercado e produtores rurais. Eles precisam conhecer o que está sendo feito no dia a dia da cadeia produtiva, entender os gargalos e também as soluções que vêm sendo encontradas. Funciona como uma verdadeira aula prática”.
Para os alunos, a experiência contribui diretamente para a formação profissional. É o caso de Vitor Hugo Arruda, universitário do 3º ano do curso. “Eu participo do grupo de estudos ‘Ovelha Pantaneira’, que pesquisa a ovinocultura, então estar aqui é muito importante. A gente consegue ver como funciona na prática dentro da agricultura familiar, tirar dúvidas e vivenciar a realidade”.
Outro ponto abordado foi a necessidade de adequação da produção às demandas do mercado consumidor. O comprador Sebastião Rezende reforçou que o padrão da carne é determinante para a comercialização.
“É importante que o produtor conheça as exigências do mercado, como o padrão da carne e da carcaça. Quem dita as regras é o mercado. Por isso, é fundamental ter acompanhamento técnico e participar de projetos como o PDOA”, ressaltou.
Fortalecimento da ovinocultura – A oficina integra o projeto “Fortalecimento da Ovinocultura por meio da capacitação técnica e gerencial de Agricultores Familiares”, vinculado à política pública do PDOA e apoiado por chamada da Fundect/Semadesc.
A iniciativa busca ampliar a capacidade produtiva, melhorar a qualidade dos animais e incentivar a organização coletiva, garantindo melhores condições de comercialização para os produtores.
Mais do que um encontro técnico, o evento reforçou a importância da união entre produtores, assistência técnica e mercado para o crescimento sustentável da ovinocultura em Mato Grosso do Sul.
Texto e fotos: Aline Lira, Agraer












