Agricultura familiar ocupa o FestJuv e aproxima campo e juventude em espaço de troca e oportunidades

  • Publicado em 30 mar 2026 • por Alcineia Santos Maceno da Silva •

  • Entre shows, oficinas e debates, o Festival da Juventude (FestJuv) também abriu espaço para quem cultiva, produz e transforma o alimento que chega à mesa. Durante os três dias de programação, de 26 a 28 de março, no estacionamento do Glauce Rocha, em Campo Grande, a agricultura familiar marcou presença no evento por meio do projeto Mercado Escola da UFMS – iniciativa construída de forma coletiva entre universidade, instituições de Ater pública como a Agraer e apoio de emendas parlamentares.

    Mais do que um ponto de comercialização, o espaço funcionou como vitrine, laboratório e ponte entre o campo e a cidade. Jovens, estudantes e visitantes circularam entre os estandes, conhecendo de perto produtos, histórias e trajetórias de quem vive da terra – e, sobretudo, produz com identidade.

    Entre as expositoras, o casal de agricultores familiares Zuleide e Alceu Rodrigues, do Sítio Paraíso, em Jaraguari, levou ao festival os produtos da marca Queijos da Zu. Para ela, estar em um evento voltado à juventude amplia horizontes. “Eu classifico como muito bom. Apesar do público ser jovem, não é só sobre consumo, é sobre conhecimento e divulgação. A gente apresenta o nosso trabalho e isso abre portas”.

    A participação no Mercado Escola também simboliza conquistas importantes. Após mais de três anos no processo de adesão ao sistema de inspeção, Zuleide comemora um novo momento. “Essa feira está sendo um marco, porque trouxe todos os meus queijos já com o selo aprovado pelo Consórcio Central, com apoio da Agraer. Isso dá segurança e permite que a gente alcance novos mercados”, afirmou.

    Entre os produtos, um dos destaques é o chamado “queijo verde” – uma criação autoral da queijaria que incorpora a erva-mate do tereré em sua composição, unindo inovação e identidade cultural sul-mato-grossense. A iguaria também carrega um diferencial importante: recebeu certificação de baixo carbono, seguindo protocolos internacionais de controle de emissão, resultado de um trabalho contínuo do casal voltado à produção sustentável e à valorização da pequena agroindústria familiar.

    Esse avanço está ligado ao Serviço de Inspeção Municipal (SIM) dentro do Consórcio Intermunicipal da Região Central de Mato Grosso do Sul, que amplia a área de comercialização dos produtos de origem animal. Na prática, produtores que antes vendiam apenas em seus municípios agora podem alcançar cidades como Campo Grande, Sidrolândia, Terenos, Jaraguari e Dois Irmãos do Buriti – expandindo significativamente suas possibilidades de renda.

    De Terenos, a produtora Rosimeire Correia, da Chácara Joia Fortaleza, também reforça a importância da assistência técnica. “Para mim é excelente. Não tenho do que reclamar. Tanto o pessoal do Mercado Escola quanto da Agraer dá um suporte muito importante. Lá na minha propriedade, inclusive, tem placa deles por causa do atendimento de Ater”.

    A presença jovem também se destacou entre os expositores. Rebeca Rodrigues, de 22 anos, da marca Doce Leite Minas Gold, vê no festival uma oportunidade de conexão. “Foi muito bom participar. Aqui a gente encontra outros produtores, conversa com estudantes, família e isso ajuda muito na parte comercial. As pessoas conhecem, voltam depois, indicam. E a gente valoriza muito os nossos parceiros como a Agraer que auxilia na produção até a UFMS nesse processo de comercialização no Mercado Escola”, explicou.

    Quem passou pelo espaço também reconheceu a importância da iniciativa. O advogado José Pedro Oliveira, que visitou o Mercado Escola durante o festival, aprovou a proposta. “Eu já conhecia a feirinha lá dentro da UFMS, quando vou buscar meus filhos. Ver esse pessoal aqui dentro do festival é muito bom, porque insere eles na programação, valoriza o trabalho e facilita para quem é de fora conhecer e consumir”, avaliou.

    Mercado Escola – Criado em 2024, o Mercado Escola da UFMS é um espaço que une comercialização, formação e inovação. Com investimento de R$ 5 milhões, a estrutura conta com laboratórios, salas de aula, auditório e um pavilhão voltado à venda direta, funcionando como um verdadeiro centro de estudos e práticas da agricultura familiar e agroecológica.

    Nesse contexto, a atuação da Agraer é estratégica. Integrante do conselho gestor do Mercado Escola, a instituição presta assistência técnica a diversos produtores, contribuindo para a qualificação da produção, acesso a políticas públicas e fortalecimento da comercialização.

    Ao integrar a programação do FestJuv, a agricultura familiar reafirma seu papel não apenas econômico, mas também social e educativo – mostrando que o futuro também se cultiva, se aprende e se constrói em muitas mãos.

    Texto e fotos: Aline Lira, Agraer

    Categorias :

    Agricultura Familiar

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