Publicado em 27 mar 2026 • por Alcineia Santos Maceno da Silva •
Em Costa Rica, no norte de Mato Grosso do Sul, a terra virou sala de aula. Sob o sol que marca o ritmo da lida no campo, agricultores familiares se reuniram não apenas para ouvir, mas para fazer – com as próprias mãos – um novo começo para suas lavouras de mandioca.
O curso prático, promovido pela Agraer e conduzido pelo pesquisador do Cepaer (Centro de Pesquisa e Capacitação), Eduardo Barreto Aguiar, foi pensado exatamente para isso: transformar conhecimento em resultado. Mais do que uma capacitação técnica, a iniciativa se propõe a enfrentar os principais gargalos da produção familiar, aqueles que muitas vezes limitam o potencial de quem vive da terra.
Segundo ele, o foco está na base – e é ali que tudo começa. O preparo do solo, a correção com calcário, a adubação equilibrada, a escolha adequada do material de plantio e o próprio ato de plantar. “Quando o agricultor começa bem, seguindo as orientações técnicas e evitando erros comuns, as chances de alcançar uma produção maior e de melhor qualidade aumentam significativamente”, explica.
A escolha pela abordagem prática não é por acaso. No campo, o aprendizado precisa fazer sentido imediato. Durante a oficina, os produtores participaram ativamente de cada etapa: regularam máquinas, ajustaram profundidade e espaçamento, acompanharam cálculos de adubação e discutiram decisões que impactam diretamente o desempenho da lavoura.
“Quando a gente demonstra na prática, o agricultor aprende de fato. Ele entende, participa e leva esse conhecimento para aplicar na própria realidade”, destaca Eduardo. O curso integra um ciclo completo de formação, que ainda contará com oficinas voltadas aos tratos culturais e à colheita, fechando todas as etapas da produção da mandioca.
Os resultados desse tipo de acompanhamento já são conhecidos por quem vive o dia a dia no campo. Lavouras mais limpas, menor incidência de pragas e doenças e, principalmente, aumento na produtividade. Mudanças que, embora técnicas, refletem diretamente na vida das famílias.
Para o produtor rural Pedro Castro Dias, presidente da Associação dos Moradores, o impacto vai além da lavoura. “Quando a gente aplica a técnica, o trabalho rende mais. O que é feito de forma avulsa tende a gerar perda. Aqui, a gente aprende, testa e comprova. Isso dá segurança”, afirma.
Ele também destaca o efeito multiplicador do conhecimento. “O aprendizado não fica só com quem participa. A gente leva para outros produtores, compartilha. E isso fortalece toda a região”.
Entre os participantes, há também quem enxergue no curso a oportunidade de ir além do que já se conhece. O produtor Lenildo de Amorim resume esse sentimento com simplicidade e profundidade: “A gente achava que sabia, mas sempre tem algo a mais para aprender”.
Durante a capacitação, dúvidas foram esclarecidas e conceitos reforçados — especialmente sobre adubação e manejo correto da maniva. Para ele, o aprendizado abre portas não apenas para melhorar a produção, mas para transformar o futuro. “Aplicando as técnicas no dia a dia, a gente consegue produzir melhor, aproveitar mais o trabalho e ter lucro. Isso significa viver da agricultura com dignidade”.
Mais do que números, produtividade ou técnica, o que se vê em iniciativas como essa é a construção de permanência no campo. Lenildo carrega um objetivo que ecoa entre muitos agricultores familiares: oferecer uma vida melhor à família sem precisar deixar a terra. E mais – ajudar outros a fazerem o mesmo caminho.
“Quero passar esse conhecimento adiante. Ajudar quem tem o mesmo sonho, para que cresça sem abandonar a propriedade rural”, diz.
É nesse ponto que a atuação da Agraer ganha contornos ainda mais significativos. Ao levar conhecimento aplicado, acessível e contínuo, a instituição não apenas orienta o cultivo da mandioca – uma das principais culturas da agricultura familiar -, mas fortalece a autonomia dos produtores, amplia suas possibilidades e contribui para o desenvolvimento sustentável das comunidades rurais.
Em Costa Rica, a mandioca segue sendo plantada. Mas agora, em cada linha aberta no solo, há também o plantio de algo maior: conhecimento, confiança e a perspectiva concreta de um futuro mais produtivo e digno no campo.
Quem somos? – A Agraer, órgão vinculado à Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação) está presente em todos os municípios de Mato Grosso do Sul. Ela segue ao lado de quem faz o campo acontecer. A instituição mantém o compromisso de fortalecer práticas sustentáveis, unindo conhecimento, tecnologia e tradição para que cada propriedade avance com equilíbrio e rentabilidade. Se você, produtor, deseja iniciar em alguma atividade ou busca aprimorar seus métodos, agregar valor ou expandir sua agroindústria, procure o nosso escritório em seu município.
Texto: Ricardo Campos Jr. e Brennon Quintino





